Estudo da UNB diz que desenho das ruas do Rio é o sexto pior do mundo
RIO – As curvas e o relevo que dão notoriedade ao Rio são também a causa de uma dor de cabeça. Espremido entre o mar e a montanha, o desenho das ruas da cidade foi considerado pelo pesquisador colaborador da Universidade de Brasília (UnB) Valério Medeiros, doutor em arquitetura e urbanismo, o sexto pior do mundo, entre 164 cidades analisadas. O modelo das vias dificulta os deslocamentos, prejudicando o trânsito. A pesquisa avaliou apenas o traçado das pistas, não considerando a malha de transportes e o número de veículos em circulação. Para isso, foi utilizado como parâmetro o índice de integração global, que mede a facilidade de trânsito – quanto menor o número, mais difícil é ir de um ponto a outro da cidade.
A Ilha Phuket, na Tailândia, tem o pior índice (0,182), seguida de Florianópolis (0,199), Helsinque (Finlândia), Gotemburgo (Suécia) e Ouro Preto. Confrontando os dados brasileiros com os desenhos das ruas das outras cidades do mundo, o pesquisador constatou que, entre as dez piores, seis são brasileiras: Florianópolis, Ouro Preto, Rio, Salvador, Porto Alegre e São Paulo.
- O grau de acessibilidade mede como a forma da cidade interfere no trânsito. Programas de computador calculam os valores, a partir dos desenhos das bases cartográficas e da quantidade de conexões em cada via, dos cruzamentos, além da posição dos principais eixos de deslocamento. A literatura científica comprova que podemos explicar 80% do movimento da cidade levando em conta a forma das ruas, e não outras questões de trânsito tradicionais, como a quantidade de carros – afirma Medeiros.
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