MAGLEV

Bondes, dinheiro e tecnologia

Uma matéria publicada no JB online com data de 17 de maio de 2009, revela problemas na utilização da tecnologia dos VLTs na recuperação dos centenários bondinhos de Santa Tereza.
Mesmo após gastar 22 milhões de reais dos cofres públicos, não funciona a contento. Confira a reportagem na íntegra:

A espera pelos bondes da história

Ana Paula Verly, JB Online

RIO – Os dois bondes que circulam em Santa Teresa têm 112 anos e carregam até 80 passageiros. Na garagem, há mais quatro, modernizados com tecnologia VLT (ideal para metrôs e trens), que estão para entrar em circulação desde 2007. Em agosto, vence a promessa do estado de devolver oito bondes reformados ao bairro, mas até agora nenhum deles se adaptou às curvas sinuosas e às ladeiras íngremes. A fim de questionar a reforma da frota, que desde 2004 consume R$ 22 milhões dos cofres públicos, a Associação de Moradores de Santa Teresa (Amast) convocou a Comissão de Cultura da Alerj para uma audiência pública, nesta quinta-feira à noite.

– A modificação tecnológica se mostrou uma aventura. São quatro bondes, quatro anos de contrato de financiamento com o Banco Mundial (Bird) e até agora não existe solução para a falta de veículos. Os erros são infindáveis, e quem paga é a população – ataca o ex-vice-presidente da Amast, Sérgio Amaral. –

O secretário (estadual de Transportes, Julio Lopes) tem que responder a uma ação pública, e a empresa (TTrans) deve ser proibida de participar de outra concorrência.

Frankensteins

Sérgio apelidou os bondes reformados de Frankensteins, por causa da carcaça centenária com operação informatizada. Cada um deles custou R$ 1 milhão. O simples reparo na própria garagem do bairro, acredita, colocaria toda a frota analógica na rua de novo por um terço do valor. O gasto foi motivo de uma ação da Amast no Ministério Público, que autorizou a reforma depois de o Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac), que tombou os bondes em 1984, se posicionar a favor.

– O governo sucateou os bondes e argumentou que não havia peças de reposição para levá-los para uma empresa particular (TTrans), em Três Rios, que cobrou uma fortuna. Nada disso foi explicado. Pode o estado reformar um bem tombado para não funcionar? – questiona Sérgio Amaral.

O primeiro bonde VLT chegou a Santa Teresa no fim de 2007 e ficou preso no trilho. Sérgio diz que, por ser informatizado, qualquer impacto tem o efeito de “chute em um computador”. Depois do fim da garantia de um ano dada pela TTrans, caberá ao estado pagar o reparo das peças quebradas. A manutenção dos dois bondes antigos, por outro lado, é feita por um grupo de funcionários no próprio bairro.

– No impacto, o veículo perde as informações e para de obedecer. Funcionaria muito bem no asfalto do Centro. Em Santa Teresa, só o de 112 anos – defende.

O coordenador do sistema dos bondes, José Duarte, confirma a dificuldade em adaptar o software à topografia do bairro, com curvas de até oito metros de raio e ladeiras de 14 graus de inclinação. Por causa disso, ainda não há previsão para entrarem definitivamente em circulação.

– É um trajeto com muitas variáveis, difícil de tirar do papel e executar na prática. Em lugar nenhum do mundo os bondes são VLTs – argumenta. – Um trem elétrico, por exemplo, só consegue subir uma rampa de dois graus.

Fonte: JB Online

Enquanto isso, na FRJ, com recursos da Faperj, o MagLev Cobra, a mais moderna tecnologia de levitação urbana do mundo, está sendo construído com apenas 4,7 milhões de reais.

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